Carta de Amor à Fernando de Noronha

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Recife, 04/11/14 – 17:02, hora local

Boing 737 Gol – Voo 1291

Após sete dias no paraíso estou nesse momento regressando a minha cidade natal, São Paulo.  A sensação é de um aperto no peito. Estou sem chão, sem ar e sinto como se não fosse mais conseguir viver sem estar ali. A ideia de não saber quando voltarei a vê-lo, senti-lo é devastadora e os pensamentos só giram em torno de um possível retorno.

Pois é, me apaixonei louca e compulsivamente por Fernando de Noronha!

Nunca vi tanta beleza em tão pequeno território, tão natural, tão selvagem e preservada. Para cada canto que se olha, cada lugar novo que se vai a sensação é de estar vivendo um devaneio. Conheci tantas paisagens e lugares surreias que a cada manhã a sensação era de que o dia anterior tinha sido um sonho dos bons.

Da suite mais cara no hotel mais luxuoso da ilha à simplicidade de uma pousada domiciliar; da barraca da Regina em um domingo no Porto ao lado dos Ilhéus ao farto festival gastronômico ao lado das celebridades; da superfície do oceano nas ondas tubulares da cacimba as profundezas da caverna da sapata em uma imensidão azul anil. Não houve um momento que não considero inesquecível.

Volto uma pessoa diferente. Primeiramente impressionada com a destreza do Criador. E em consequência muito decepcionada com o poder de destruição do homem. Levei menos de dois dias para entender e mudar dentro de mim algumas atitudes simples, mas essenciais para a preservação de lugares como esse. Essa consciência que já existia dentro de mim tomou forma e força em Noronha. Estar em uma joia lapidada no meio do oceano, com apenas 17 km quadrados me deu  ideia concreta de como a manutenção do Planeta está em nossas mãos. Lixo, poluição, escassez de reservas de água potável, urbanização e seus impactos: com pequenas ações podemos minimizar e muito esses problemas . Aprendi a tomar banhos mais rápidos, usar menos louça e lavar menos roupa para economizar água. Me doía toda vez que jogava algo no lixo e passei a apoiar a campanha para a extinção das garrafas Pets de água de 500 ml. Mas sobretudo entendi que precisamos de muito pouco para sermos felizes.

Obrigada Deus por ter criado Fernando de Noronha! Eu amo você!

Eu amo Noronha!