California Historical Landmarks: o que são e como encontra-las

Vira e mexe, andando pelas ruas da Califórnia e pontos turísticos, você vai se deparar com placas como essa:

hotel del coronado

O que me chamou a atenção é que além das informações sobre o local, elas seguem um padrão e tem uma numeração, no exemplo “Historical Landmark n°844”. Logo já entendi que isso deveria ser um tipo de organização, classificação dos pontos importantes para a história do estado, mas quis ir mais a fundo e entender quais exatamente seriam os critérios para a escolha desses pontos, quantos seriam e aonde se localizavam.

Atualmente existem 1.111 “Califonia Historical LandMarks”, e esse número muda constantemente, conforme novos locais são adicionados a lista – ou seja, nem adianta querer conhecer uma por uma. A não ser que você seja meio louco, como o americano David que fez isso e ainda criou um site chamado Landmark Quest, aonde ele faz uma breve descrição de cada uma que visitou, com direito a fotos e mapa. Para vocês terem noção, ele começou a “busca” em 1997 e conseguiu visitar até agora 917, tendo ainda 194 para encontrar. Não satisfeito ele criou uma outra lista, a California County High Points, aonde estão os picos mais altos de cada County e também quer visitar um por um.

Tem louco pra tudo nesse mundo!

Mas, voltando as California Historical Landmarks

O programa é uma iniciativa do governo americano e visa resgatar as raízes históricas do país. Especificamente na California, a idéia é expressar a diversidade do patrimônio e herança cultural do estado, incluindo os períodos pré-colombiano, espanhol e mexicano, além da atividade da Marinha e a exploração do espaço. São classificados prédios, estruturas e lugares que tem uma significância histórica para o estado como um todo e que seguem ao menos um dos seguintes critérios:

– o primeiro, último, único ou mais significante do seu tipo no estado ou região (norte, centro ou sul).

– associado a um individuo ou grupo que teve profunda influência na história da Califórnia.

– um protótipo ou um perfeito exemplo de um período, estilo, movimento arquitetônico ou construtivo, ou o melhor trabalho remanescente na região de um arquiteto ou designer pioneiro.

Portanto, você irá encontrar na lista desde píers à igrejas, de barcos à pontes e hotéis. Abaixo cito as que considero mais relevantes e que estão dentro do eixo turístico:

San Francisco – 48 landmarks:

#327  Mission San Francisco – Já falamos sobre as missões aqui e aqui e sobre essa especificamente aqui. Erguida em 1776, foi a sexta a ser construída e a primeira da região.

#623  Union Square – Nosso post sobre o local está aqui. Atualmente centro de compras já foi o local usado para reuniões decisivas para a cidade.

#974 Golden Gate – Dispensa apresentações.

Entre SF e LA

# 930 Pigeon Point Lighthouse – O maior farol da costa oeste, contruído em 1872. Post aqui.

# 1037 Santa Barbara Couthouse – Está na nossa lista sobre “O que faltou fazer em Santa Barbara”. Construída em 1929, representa com maestria o período espanhol, cheia de detalhes lindos.

Los Angeles – 105 landmarks

# 658 Western Hotel – Construído em 1876,era considerado centro da atividade social no ínicio da cidade.

#1041 Childhood Home of the Beast Boys – Local aonde os meninos da famosa banda cresceram e gravaram suas primeiras músicas.

# 1018 Manhattan Beach State Pier – O mais antigo da Califórnia, construído em 1917.

Orange County – 26 Landmarks

# 189 Dana Point – A praia era o principal porto da região em 1835.

# 959 Balboa Pavilion – O prédio é lindo e fica em Balboa Island, que vale super a pena conhecer.

#1050 Crystal Cove Historic District – O post sobre o local está aqui. Na minha opnião uma das mais incríveis Landmarks.

San Diego – 74 Landmarks

#830 Old Town – Também fizemos um post sobre o local aqui. Mais incrível ainda do que a última. Visita obrigatória.

#844 Hotel Del Coronado – Construído em 1887, era o preferido de celebridades e pessoas importantes. Vale a visita, post aqui.

#1030 Star of India – A mais antiga fragata em operação, foi construída em 1863 e faz parte do Maritime Museum, com post aqui.

#1031 Ferryboat Berkeley – A balsa, construída em 1898, fazia a travessia entre a baia de San Francisco e o continente. Também está no acervo do Maritime Museum e até casamentos podem ser realizados nela.

No fim, achei bem legal toda essa história e que o objetivo do projeto foi totalmente alcançado. Quem sai ganhando é o turista que passa a compreender melhor a história do local que está visitando, de uma forma organizada e didática!

A lista completa como todas as informações está aqui: http://www.landmarkquest.com/tally.htm.

Leve a sua listinha e de seus checks!

E se você já passou pela Califa, qual das Landmarks você já visitou? Tem alguma imperdível que não foi para a lista acima?

Cinco de Mayo: a cultura mexicana na Califórnia

cinco-de-mayoCinco de Mayo, 1862. Data em que o exército Mexicano derrotou as forças armadas francesas na batalha de Puebla. No México o feriado é só reconhecido na própria cidade de Puebla. Já no território americano o dia é de festa e por todo o canto os descendentes de mexicanos aproveitam para celebrar sua herança e cultura.

A tradição se iniciou em cidades com grande número de imigrantes mexicanos – como Chicago, Houstoun, San Diego e Los Angeles –  e foi se espalhando até que em 2005 o Congresso Nacional declarou o dia oficialmente, solicitando que todos os lugares celebrassem a data.

A Califórnia – como um dos estados com maior número de imigrantes vindos do México – é sem dúvida o melhor lugar pra conhecer a tradição.  Já falamos aqui como várias cidades são influenciadas pela cultura do país vizinho e incorporam ao cotidiano a culinária, a arte, as cores, a música, a dança e a maneira de ser dos mexicanos.

Se você está com viagem programada para a data tente encaixar alguma visita a um dos eventos que acontecerão.  Com certeza você encontrará muitas cores e muita alegria.

Em San Francisco a festa acontece no bairro de Mission District – já fizemos post sobre o bairro aqui. A festa é bem familiar e o local tem capacidade para receber mais de 3000 pessoas.  Esse ano acontecerá no Sábado, dia 3 de maio, das 10 am as 6 pm, na Valencia Street, entre a 21th e a 24th St.

Unknown-5_Fotor_Collage

Mais informações: http://www.sfcincodemayo.com/

Em Los Angeles o local da celebração é a Olvera Street, em Downtown. A rua é famosa por abrigar festivais e eventos da cultura Mexicana. O evento dura o fim de semana todo e mais a segunda feira – de 3 a 5 de maio de 2014 das 10am as 10 pm.

Page 2

Mais informações: http://www.olvera-street.com/Calendar/calendar.html

Em San Diego o evento também dura três dias, e é o maior do sul da Califórnia. Serão quatro palcos com musica ao vivo, duas cantinas com comidas e bebidas, além de uma área especialmente reservada para crianças. Toda a estrutura será montada na Old Town – post aqui – a partir da sexta feira, dia 2 de maio, até domingo. Vale a pena conferir a programação, que é bem extensa e parece ser a mais organizada das opções.

page 3

Mais informações: http://www.oldtownsandiegoguide.com/cinco_de_mayo/cinco_de_mayo.html

Quem comparecer pode vir aqui contar no blog como foi!

Happy Cinco de Mayo!

 

Hotel del Coronado

HotelDelCoronado-panorama

Do Maritime Museum seguimos em direção a mais uma parte da história de San Diego: o Hotel Del Coronado. Para chegar a ele é necessário percorrer a Coronado Bridge, que atravessa a baia de San Diego até a península que abriga a pequena cidade que dá nome a ponte. Charmosa e tranquila, a comunidade é possuidora daquela beleza típica das cidades de praia da Califórnia: ruas arborizadas, quintais floridos e o azul do mar completando a paisagem.


View Larger Map

No inicio da ponte vale a pena dar uma paradinha, ou ao menos dedicar os olhares, ao Chicano Park. O parque, que ocupa uma área de 8 acres em baixo da ponte, surgiu nos anos 70, depois de uma revitalização da área. A influência da cultura do povo mexicano, que ocupava o lugar em massa,  trouxe para o parque o que é hoje o seu maior trunfo, os murais. O movimento muralista teve inicio em 1910 no México e foi um dos mais importantes movimentos da arte popular do século, tendo como um de seus maiores expoentes o famoso pintor Diego Rivera. Hoje o parque abriga a maior coleção do país de murais ao ar livre – são 72 no total, entre antigos e novos – e você vai poder ver claramente a influência do movimento no graffiti dos dias de hoje.

Centenas de murais tomam conta da área conhecida como Chicanos Park.

Centenas de murais tomam conta da área conhecida como Chicano Park.

Não tem como não se encantar com as cores.

Não tem como não se encantar com as cores.

A vista de cima da Coronado Bridge – que é super alta para que os navios possam passar por baixo entre os pilares – também merece atenção. A esquerda você tem a visão do porto de San Diego, a sua frente a península cheia de pequenas baías e a direita o skyline da cidade.

Coronado Bridge.

Coronado Bridge.

O Hotel Del Coronado fica bem próximo a ponte, no canto esquerdo da Coronado Beach, eleita uma das mais bonitas da Califórnia.


View Larger Map

Quando foi aberto em 1888, o hotel era considerado o maior resort do mundo, ocupando uma propriedade de 28 acres. Passados mais de cem anos, o lugar mantém o luxo e o requinte, que aliados a aura única criada por sua história, fazem do hotel uma parada obrigatória para quem visita San Diego.

O Hotel, desde 1977, é considerado patrimônio histórico da Califórnia

O Hotel, desde 1977, é considerado patrimônio histórico da Califórnia.

A construção de madeira ao estilo Vitoriano tinha instalações extremamente luxuosas e modernas para época. Todas as dependências eram iluminadas com luz elétrica, havia uma máquina de gelo artificial, um salão de baile amplo e lindamente decorado além de suítes espaçosas e com vista para o mar. Tudo isso chamou a atenção de muitos ricos e famosos e o hotel ficou conhecido por receber hospedes notórios. Dezoito dos quarenta e quatro presidentes do Estados Unidos já hospedaram lá, entre eles Franklin D. RooseveltJohn F. KennedyRichard Nixon,  Jimmy CarterRonald ReaganGeorge H. W. BushBill ClintonGeorge W. Bush, e Barack Obama. Entre os famosos desde Thomas Edson e Charles Chaplin até Madonna, Brad Pitty e Oprah.

O Hotel em 1888, ano de sua inauguração. Foi lá, que a primeira árvore de natal com luzinhas externas foi montada.

O Hotel em 1888, ano de sua inauguração. Foi lá, que a primeira árvore de natal externa com luzinhas foi montada.

Chegando no hotel.

Chegando no hotel.

A famosa fachada.

A famosa fachada.

 

No interior, o luxo é o mesmo. Há restaurantes, uma 'padaria' e uma sorveteria. A aparência dos doces estava ótima.

No interior, o luxo é o mesmo. Há restaurantes, uma ‘padaria’ e uma sorveteria. A aparência dos doces estava ótima.

O hotel foi também cenário de diversos filmes e conquistou boa parte da sua fama através do filme Some Like it Hot (‘Quanto mais quente melhor’), rodado em 1958 e lançado no ano seguinte. Com estrelas como Jack Lemon, Tony Curtis e Marilyn Monroe no elenco, a comédia romântica foi um sucesso de crítica e bilheteria, se tornando um dos maiores clássicos do cinema.

Marilyn e seus companheiros de set.

Marilyn e seus companheiros de set.

Confesso que o fato do filme ter sido rodado lá foi o que mais impulsionou minha vontade de visitar o Hotel. Sou super fã de divas, e a Marilyn está entre as minhas preferidas. Por isso simplesmente AMEI a lojinha de souvenires do Hotel, que entre muitos objetos antigos interessantes, tinha centenas de itens ‘Marilyn Monroe’: desde livros com fotos, porta copos estampados, bolsas, relógios, lenços, esculturas… enfim, uma infinidade de coisas. Eu escolhi um livro de bonecas de papel – sabe aquele em que você recorta a roupa e veste no manequim? – com os figurinos mais lindos, importantes e conhecidos da diva.

Gift Store: Cheia de itens Marilyn!

Gift Store: Cheia de itens Marilyn!

A praia do hotel, a Coronado Beach, é bem bonita e rolam até umas ondinhas para iniciantes. Para quem estiver a fim de se hospedar lá prepare o bolso: as diárias não saem por menos de $270,00.

Coronado Beach: longa, com areia clara e mar azul.

Coronado Beach: longa, com areia clara, mar azul e algumas ondinhas.

Mais informações:

Hotel Del Coronado  – http://hoteldel.com/
1500 Orange Ave
Coronado, CA 92118

Maritime Museum

Tiramos nosso terceiro dia em San Diego para conhecer a parte mais central da cidade. Havia uma previsão de swell para entrar nos próximos dias e enquanto ele não vinha deixamos as ondas de stand by. Encontramos o Lukas – a Ana não pode ir por que estava trabalhando – e saímos em direção ao Navy Pier.

Região central de SD:


Exibir mapa ampliado

San Diego tem grande tradição e importância na história da marinha dos Estados Unidos, a maior e mais poderosa do mundo. É lá que fica a maior Base Naval da Costa Oeste, com 54 navios. A população total de 20 mil militares e seis mil civis ocupa uma área de 4 km² com 13 piers espalhados pelo território.

Existem alguns museus e atrações turísticas que abordam o tema pela cidade e nós decidimos começar nossa jornada conhecendo o Maritime Museum. O museu, fundado em 1948, tem uma das melhores coleções de embarcações históricas do mundo. Em exposições permanentes e temporárias o visitante é convidado a embaracar – literalmente – na história naval. São sete embarcações que ficam atracadas em um píer a beira da North Harbor Drive. Você pode entrar em todas elas e conhecer o interior das fragatas, submarinos e até da balsa que costumava fazer a travessia da baia de San Francisco no século 19.


Exibir mapa ampliado

Chegamos por volta das nove e compramos nossos ingressos no guiche. Além de conhecer os navios atracados é possível também viver uma Sailing Adventure e velejar em uma das fragatas pela baía de San Diego por quarto horas – a partida acontece diariamente ao meio dia. Como tinhamos outros planos para tarde, decidimos pelo ingresso normal.

aaaaa

Da entrada do museu você já consegue visualizar as embarcações.

Começamos nossa jornada pelo HSM Surprise, uma réplica da fragata da Royal Navy, Rose, do século XVIII, construído em 1970. Inicialmente usada para passeios e testes, em 1991 foi transformada em um veleiro escola. Em 2003 foi usada como cenário no filme Mestre dos Mares: O lado mais distante do mundo, antes de ser comprada em 2004 pelo Maritime Museum.

aaaa

O HSM Surprise, lindo do lado de fora.

aaaa

O interior funciona como museu e tem objetos e móveis ligados a história da navegação.

aaaa

É permitido tocar em quase tudo, dá até pra brincar de pirata!

aaaa

O timão, o bote salva vidas e a proa do navio.

Nosso segundo tour foi pelo submarino B-39. Constuído pela marinha soviética em 1970, foi utilizado por mais de 20 anos. Com trezentos pés de comprimento e pesando mais de 20 mil toneladas, está entre os maiores submarinos já construídos. Projetado para localizar navios de guerra dos Estados Unidos o submarino era letal: carregava 24 torpedos e uma tripulação de até 78 homens. Foi tomado pelos EUA após a Guerra fria e hoje ironicamente está atracado entre seus antigos adversarios. O filme Phanton, que conta a história dos submarinos soviéticos, acabou de ser lançado nos Eua e a maior parte dele foi gravada no interior do B-39.

aaaa

Antes de entrar no submarino você tem que fazer um teste para ver se vai passar pelas “portas”.

asaa

Lá dentro, tudo é escrito em russo. Imaginem ter que dormir nessas camas a vários metros de profundidade??

Depois fomos pra a Ferry Berkeley, a balsa que de 1868 até 1958 fez a travessia da baía de San Francisco. Seu interior é tão grande que abriga uma completa bibblioteca sobre o assunto, o escritório do museu e ainda as exposições temporárias. No seu deck superior são realizados diversos eventos, inclusive casamentos. Imagine que charme casar numa balsa tão importante?

aaaa

Na balsa, é possível visitar a sala de máquinas.

Depois de uma pausa para o almoço – que eu vou contar no próximo post – continuamos a visita pelo museu no Uss Dolphin, mais um submarino. Construído em 1962 pelo governo americano, contrasta bastante com o B-39 em termos de tecnologia, começando pela profundidade que atinge, a maior do mundo até os dias de hoje.

aaaa

O Uss Dolphin, bem mais moderno do que o B-39. Tinha até máquina de gelo.

aaaa

As instalções eram limpas e confortáveis. Tinha até chuveiro.

Visitamos também o pequeno Yach Medea, de 1904. Construído na Europa originamelnte como uma embarcação para eventos sociais e viagens de pesca, foi usada pela marinha inglesa durante a segunda e a primeira guerra mundial.

aaaa

O Yach era luxuoso por dentro, com direito a sala de estar e jantar.

aaaaa

Também é possivel percorrer todo o interior e visitar todos os comodos.

E finalmente chegamos a última e mais esperasa embarcação, o Star of India, o barco a vela mais antigo do mundo em funcionamento. A fragata foi construída em 1863 na Europa e ganhou esse nome pela quantidade de viagens que fez a India. Desde então já deu a volta ao mundo 21 vezes.

aaaa

Visto de fora, o Star of India já é lindo.

aaaaa

Meu deus! Pra que tanto cabo? Imaginem a confusão.

aaaaaa

O navio também tem uma espécie de museu no interior. Em uma das alas é possível se vestir de imigrante e fingir estar atravessando o Atlântico em direção ao Novo Mundo.

\\\\\

O Lukinhas foi um ótimo fotógrafo.

Depois de finalizarmos nossa visita ao Maritime Museum, a idéia era ir visitar o Uss Midway, o maior porta aviões aberto a visitação do mundo, uma das mais famosas e aclamadas atrações turisticas de San Diego.

Mas não dava, a gente já tinha visto muito barco para um dia e acabamos desistindo. Fomos até ele só para ter uma idéia do tamanho, do lado de fora mesmo.

Se você quiser saber mais sobre o porta aviões, acesse esse post do Mau Oscar Blog , super completo e cheio de fotos.

aaaa

A magnitude do porta aviões.

Ah! E não podia faltar a clássica foto na Uncondicional Surrender, a famosa escultura que retrata um marinheiro beijando cinematrograficamente uma enfermeira. A estátua, criada pelo artista Seward Johnson, foi baseda em uma foto e possui diversas versões ao redor do mundo.

aaaaa

A clássica foto do beijo e depois, os meninos fazendo graça com a moça. Na última foto, a imagem que inspirou a escultura.

As três atrações ficam bem pertinho uma da outra, dá pra fazer tudo de uma vez!

A. Maritime Museum B. USS Midway C. Uncondicional Surrender


Exibir mapa ampliado

Mais informações:

Maritime Museum – 1492, North Harbor Drive – San Diego, CA
Abre diariamente das 9am as 8pm
Ingressos: $16
Sailing Adventures: $60

 

USS Midway – 910, North Harbor Drive – San Diego, CA
Abre diariamente das 10am as 5pm
Ingressos: $19

Old Town, um pedacinho do México na Califórnia

Depois de descansarmos um pouco no hotel saímos para buscar a Ana e seguir em direção ao que posso afirmar ser a minha parte preferida de San Diego, Old Town.

Localizado próximo a intersecção das rodovias Interestaduais 5 e 8 o bairro reúne em poucos quarteirões diversos museus e prédios históricos, restaurantes, hotéis e lojas que transbordam cultura mexicana.

mapa

Não tem como falar do bairro e não contar um pouco da sua história. Aliás esse é o passeio mais bacana se você gosta do assunto.

A Old Town é considerada o berço da Califórnia. Ocupada originalmente por índios, as terras, descobertas por volta de 1532 pela Espanha, permaneceram intactas por muitos anos. Até que em 1768, após ameaças do governo russo, o governo espanhol decidiu ocupar o território. O Rei Carlos III da Espanha enviou ordens para a Nova Espanha –  atual México – de que expedições deviam ser enviadas para Alta California com o objetivo de estabelecer o dominio espanhol. Era um movimento politico, mas o rei queria que parecesse religioso e por isso enviou junto ao exército uma comitiva de padres e religiosos Franciscanos, liderada pelo Padre Junipero Serra. Em 1769, o Padre estabeleceu a primeira, das vinte e uma missões espalhadas pela costa Oeste dos Eua – já falamos sobre algumas das missões aqui – a Mission San Diego de Alcata.

A missão passou por altos e baixos – tendo até um padre assassinado pelos índios em 1775. Em 1821 o México conquistou a independência da Espanha e em 1834 tirou a administração da missão da mão dos Franciscanos e passou-a para Santiago Arguello. Nesse período o lugar onde hoje está a Old Town se estabeleceu como ‘El Pueblo de San Diego’.  Em 1846 o exército americano ocupou as terras e levantou a bandeira dos Estados Unidos na praça central, fazendo de San Diego, parte do território americano. Apesar disso, a cidade não abandonou suas raízes e traços fortes da cultura mexicana podem ser vistos até hoje por toda a cidade e mais ainda na Old Town, que desde 1968 é considerado um State Historic Park.

Imagens da Old Town de 1800'.

Imagens da Old Town de 1800′.

O parque reúne mais de 28 construções históricas que se dividem entre museus, restaurantes, hotéis e pousadas, igrejas e capelas – aqui você encontra a lista. A maioria delas teve que ser parcialmente ou totalmente reconstruída, já que um grande incêndio destruiu boa parte do bairro em 1872.

Principais atrações turísticas:


Visualizar Old Town, SD em um mapa maior

Nós fizemos a visita a noite, mas essa não é a melhor opção. Você mal consegue enxergar as casas e os museus não estavam abertos. O ideal é ir no meio da tarde e esticar até a noite para jantar em um dos ótimos restaurantes.

A noite fica mais difícil enxergar a beleza das construções de adobe.

A noite fica mais difícil enxergar a beleza das construções de adobe.

Além das construções históricas o bairro possui muitas lojas e dois bazares – o Bazaar Del Mundo e o Old Town Market – que vendem artesanatos mexicanos. Eu, que adoro a arte de lá, fiquei maluca com as caveiras, azulejos, cerâmicas e tudo que enchia os nossos olhos de cores vibrantes e formas.

Bazaar del Mundo.

Bazaar del Mundo.

Old Town Market.

Old Town Market.

Ana e Gui.

Ana e Gui.

Algumas das peças.

Algumas das peças.

Barbies Mexicanas, não é o máximo?

Barbies mexicanas, não é o máximo?

 

Nós.

Nós, as caveiras e algumas bonecas trajadas como indios.

Pra quem gosta de produzir bijus, vale a pena conferir a Lost Cities Beads, a maior loja de contas de San Diego. Eles tem pedras de todos os tipos, além de perólas, pratas e cristais (não consegui ir, estava fechada).

Lost Cities (Fotos: site oficial)

Lost Cities (Fotos: site oficial)

Pra finalizar o passeio a melhor opção é sentar em um dos muitos restaurantes mexicanos da área e se deliciar com a comida. Ouvi falar muito bem – e achei lindo – o Casa Guadalajara, mas havia espera.

Casa Guadalajara (Fotos: Site oficial)

Casa Guadalajara (Fotos: Site oficial)

Outras opções de restaurantes.

Outras opções de restaurantes.

Mudamos de planos e fomos para o Fred’s Mexican Café – que tem mais 5 unidades espalhadas pela SoCal. Além da Ana, encontramos um outro amigo em San Diego e ele veio também jantar com a gente. O Lukas estava passando um mês na California enquanto fazia um curso de inglês.

Interior do restaurante.

Interior do restaurante.

Tudo muito colorido.

Tudo muito colorido.

Confesso que até o momento não tinha morrido de amores pela comida mexicana, então fiquei um pouco na dúvida do que pedir. Todos fomos de combos, que reúnem em um único prato taco, enchilada, arroz mexicano e feijão, variando os sabores dos recheios.  Eu fui no #12 Southwest – um taco de frango com molho apimentado, uma quesadilla de carne com molho barbecue e uma enchilada de carne assada servida com arroz mexicano e feijão preto. Todos os pratos estavam de-li-ci-o-sos! Mesmo! O serviço também foi excelente e a garçonete da Austrália, que tinha lindos olhos azuis, super simpática e paciente.

Combos.

Combos.

Lucas, Ana, Caru, Gui e o Koala da garçonete australiana.

Lucas, Ana, Caru, Gui e o Koala da garçonete australiana.

Faltou só a Tequila, mas os meninos estavam dirigindo e não quisemos deixa-los com vontade. Gastamos menos de $20 por pessoa.

Eu voltaria na Old Town todos os dias da nossa estadia em San Diego, pena que estavamos longe.

Dá pra se hospedar lá, e não é em um hotel comum não. Algumas são as opções, mas eu achei bem interessante o Cosmopolitan Hotel – que funciona em um dos prédios históricos – e o Hacienda Hotel – que com certeza vai fazer você se sentir no México.

Cosmopolitan Hotel.

Cosmopolitan Hotel (Fotos: Site oficia).

Hacienda Hotel.

Hacienda Hotel (Fotos: Site oficial).

Quem vai pra lá no mês de maio não pode perder uma das maiores festas da Cultura Mexicana, o Cinco de Mayo  e que acho só não ser melhor do que o Dia de Los Muertos – que acontece nos dias 1 e 2 de novembro.

Festa de Cinco de Mayo.

Festa de Cinco de Mayo.

Caveiras do dia dos mortos.

Caveiras do dia dos mortos.

 

Mais informações:

Guia completo de museus, prédios históricos, eventos e estabelecimentos: http://www.oldtownsandiegoguide.com/

Um post bem bacana com muitas fotos: http://mauoscar.com/2011/09/21/san-diego-old-town/

Venice – A história

venice

Permeada por altos e baixos, a história de Venice Beach é uma das mais interessantes da Califórnia. Entre barões do tabaco, mega parques de diversão, artistas da contracultura e skatistas undegrounds, o bairro construiu sua personalidade única e se tornou um ícone mundial. Tão interessante que eu achei essa história merecedora de um post inteiro e exclusivo, talvez meio longo para alguns, mas com certeza apaixonante para quem conseguir lê-lo até o final.

A criação

No final do século XIX o lugar onde hoje está Venice não passava de um pedaço de terra a beira mar, 23 km a oeste da cidade de Los Angeles. Até que em 1891, Abbot Kinney, milionário da indústria do Tabaco, resolveu comprar 2 milhas dessa propriedade e tranformá-la na “Veneza da América”.

mapa

A idéia do milionário era transformar a área em uma “Beach Resort Town” e para isso ele construiu canais aonde a população se locomovia, salões de baile, auditórios e um enorme píer com um grande parque de diversões.  Em 1905, Venice foi inaugurada e em menos de cinco anos a população saltou de 3 para 10 mil habitantes. Nos finais de semana a cidade chegava a receber mais de 150 mil turistas e Kinney, agora governador da cidade parecia muito satisfeito com seu empreendimento.

No alto, Venice sendo construída. Abaixo os canais, e ainda um dos piers com uma grande parque de diversões!

Venice sendo construída, os canais,  a avenida principal e ainda um dos piers com o grande parque de diversões!

Com  morte de Abbot em novembro de 1920 e um grande incêndio que destruiu boa parte do píer seis semanas depois, Venice parecia já não ter um futuro tão bom assim. O grande crescimento da população tornou necessário o aumento da rede de esgoto e das ruas de circulação e Venice foi então anexada a Los Angeles em 1926.

O Declínio

Los Angeles passou então a refazer Venice a sua maneira. A maioria dos canais foi pavimentada em 1929, após três anos de uma longa batalha judicial com os moradores. Nessa mesma época foram descobertos poços de petróleo no subsolo e em dois anos, 450 deles cobriam a área e resíduos das perfurações obstruíram os canais restantes.  O governo decidiu então fechar os piers, mas tiveram que esperar até que a licença de funcionamento fosse expirada, em 1946. O boom do petróleo foi curto e durou até o fim dos anos 60.

Poços de petroleo na orla de Venice.

Poços de petroleo na orla de Venice em 1952.

Por volta dos anos 50, Venice já estava completamente largada e era conhecida como a “Slum by de Sea” – algo como a “Favela a beira-mar”. O preço baixo dos aluguéis atraiu predominantemente imigrantes europeus – a maioria vitimas do Holocausto – e jovens artistas da contra cultura, poetas e escritores – que faziam parte da conhecida “Beat Generation” .

A recuperação

Em julho de 1958 um novo parque foi aberto entre Venice e Santa Monica e trouxe novas perspectivas ao lugar. Feito para concorrer com a Disney o Pacific Ocean Park, mais conhecido como P.O.P., tinha montanhas russas e mais de trinta atrações temáticas com temas marítimos distribuídos por seus 110 mil metros quadrados.

O parque visto de cima; a entrada e suas atrações.

O parque visto de cima; a entrada e suas atrações.

O POP era também conhecido como "pay one price.

O POP era também conhecido como “pay one price.

 

No link, um mapa bem bacana com todas as atrações. É só clicar no pontinho vermelho para ver uma foto:

http://www.westland.net/venicehistory/mapsdocs/poppier-map.htm

O vídeo mostra bem a grandeza do parque:

http://www.youtube.com/watch?v=SJ7yugaQF-0&feature=share&list=PLOT8noFgRIFU30_QGQu17MIuZaw8lq_j4

O novo declínio

Em 1965, o bairro de Ocean Park, que circundava o parque, sofreu um grande projeto de reurbanização. Os prédios da área foram demolidos fechando ruas e estacionamentos o que dificultou o acesso ao parque. A visitação caiu pela metade em 1966 e no ano seguinte o parque foi fechado. Algumas das atrações foram vendidas para pagamento de dividas e o restante ficou abandonado. As ruínas do píer se tornaram a área de surf preferida de uma turma de surfistas que apelidaram o local de Dogtown. Depois de muitos incêndios suspeitos, o píer foi demolido em 1975. Nada resta do parque hoje, a não ser o carrossel, que atualmente está exposto no parque do Pier de Santa Mônica, algumas milhas ao norte.

As ruínas do pier.

As ruínas do pier.

As ondas que rolam ali e o incêncio de 74 que deu fim ao lugar.

As ondas que rolam ali e o incêncio de 74 que deu fim ao lugar.

Dogtown e os Z Boys

Essa turma de surfistas que gostava de pegar as ondas das ruínas do P.O.P. ficou mais conhecida como os Z-Boys. O nome veio da Surf Shop Zephyr, aberta em 1971 por Jeff Ho e Skip Engblom, na esquina da Main x Bay St.

Esquina aonde a Zephyr funcionava:


Ver mapa maior

Jeff e Skip.

Jeff e Skip, fundadores da marca.

O primeiro membro da equipe – que representava a marca nas competições de surf – foi Natham Pratt, que com 14 anos começou a  trabalhar na loja como faxineiro. Em 1974 se juntaram ao grupo Allen Sarlo, Jay Adams, Tony Alva, Chris Cahill, Stacy Peralta e Hamish Albany.

Z Boys:

Os membros da equipe de surfe da Zephyr: Nathan Pratt, Allem Sarlo, Jay Adams, Tony Alva, Chris Cahill e Stacy Peralta.

Os Z–Boys passavam a maior parte do tempo surfando no píer do antigo parque, apelidado pelos locais de Dogtown. Com estacas pontiagudas dentro da água e pouco espaço, o píer era um lugar muito perigoso para surfar. Os meninos dominavam o pico e tratavam com hostilidade qualquer estranho que tentasse se aproximar – segundo Alva eles chegavam a atacar com pedras quem ousasse surfar no pico.

The Cove: As ruínas do parque aonde rolavam as ondas.

The Cove: As ruínas do parque aonde rolavam as ondas.

Z Boys.

Z Boys e Jeff Ho, antes de uma seção de surf.

A maioria deles tinha uma estrutura familiar problemática e ir pra casa era a última coisa que queriam. Quando as ondas não estavam boas eles iam para loja ajudar Jeff e Skip e no tempo que sobrava curtiam também andar de skate, o que para eles não passava de um hobby.

Durante um período sem ondas em 1975, Cahill, Pratt, Adams, Sarlo, Peralta e Alva começaram a ver no skate um pouco mais que isso e propuseram pra Jeff e Skip montar uma equipe do esporte. A eles se juntaram Bob Biniak, Paul Constantineau, Jim Muir, Shogo Kobu, Wentzle Ruml e Peggy Oki, a única menina do grupo de 12 membros. O estilo para os Z-Boys era tudo e a principal inspiração vinha do surf.

Os membros que se juntaram ao time:

Os membros que se juntaram ao time: Bob Biniak, Paul Constantineau, Jim Muir, Shogo Kobu, Wentzle Ruml e Peggy Oki.

O estilo único dos atletas.

O estilo único dos atletas.

rrrr

Surfando no asfalto.

O esporte estava meio adormecido desde os anos 60, mas uma revolução nas rodinhas deu uma força para que o skate se levantasse de novo. Em março de 75, depois de quase dez anos, uma grande competição de skate foi realizada. Metade dos finalistas do Del Mar Nationals eram membros dos Z-Boys.

Os Z Boys surpreenderam os juizes e o publico na Del Mar Nationals com suas manobras inéditas e estilo ousado.

Os Z Boys surpreenderam os juizes e o publico na Del Mar Nationals com suas manobras inéditas e estilo ousado.

Nesse mesmo período uma escassez de água obrigou muitas pessoas a esvaziarem suas piscinas. Os Z-Boys viram o problema como oportunidade e passaram a sair pelos bairros em busca das piscinas vazias para tentar um novo jeito de andar de skate. Nasceu aí o Skate Vertical. Tony Alva deu o primeiro aéreo da história em uma dessas piscinas em 77 e muitas manobras novas foram criadas, revolucionando o esporte e fazendo dele o que é hoje.

As piscinas

As piscinas

Não demorou muito para os meninos começarem a receber propostas de patrocínio tentadoras, com as quais a Zephyr Shop não conseguia competir. A equipe se separou e cada um seguiu seu caminho individualmente. Jeff Ho se mudou para o Havai e montou uma loja de pranchas em Honolulu. Recentemente ele voltou pra Venice e reabriu a Zephyr em uma esquina da Abbot Kinney Blv.

gggg

Z Boys ontem e hoje (clique para ver maior)

Stacy Peralta sabia do potencial da história e participou de dois projetos super bacanas para divulgá-la. O primeiro é o documentário “Dogtown and Z-Boys”, dirigido por ele em 2001. O filme conta detalhes da vida da equipe, com fotos e vídeos reais, além de depoimentos atuais dos Z-Boys, de Jeff e Skip. Se você gosta de skate, é imperdível.

http://youtu.be/C78BQFDq6hM

O segundo é o filme “Lords of Dogtown”, escrito pelo próprio Peralta e lançado em 2005. A história se foca em três, dos doze membros do time – Tony Alva, Stacy Peralta e Jay Adams –  e retrata como a fama chegou repentinamente a esses três meninos de vida dura, que viram suas histórias transformadas e viraram lendas, através do que amavam fazer. Mesmo se você não é muito fã do esporte, vale a pena assistir para conhecer um pouco mais da história de Venice.

http://youtu.be/E0K6lUm5ynw

Esses anos ficaram marcados na história do bairro e fizeram de Venice este lugar multicultural, artístico e ainda um pouco underground de hoje. Uma volta no calçadão da praia – que hoje em dia tem uma bela ciclovia, quadras de basquete da onde saíram muitos astros da NBA, uma área de musculação que costumava ser freqüentada por Arnold Schwarzenegger e ainda uma pista de skate insana – te leva para uma viagem bem doida. Tem quem não goste, a gente adorou.

Pra saber mais:

Westland – Venice History: A História de Venice detalhada e cheia de mapas.

Rip P.O.P.: Propriedade de um cara fascinado pelo Pacific Ocean Park, o site tem muitas fotos das ruínas do parque.

Pacific Ocean Park: Mantido pelo mesmo cara que o site de cima, esse possui mais fotos e informações da época em que o parque estava em funcionamento.

Venice Pix: Arquivo de fotos vintage de Venice com mais de 1000 imagens. Dá pra perder muito tempo.

No próximo post: Venice Skate Park – insano!

* As fotos desse post não são de autoria do blog. Se você detém os direitos de alguma das imagens e quiser que a mesma seja retirada ou creditada, por favor contate-nos.

Fontes: http://www.westland.net/venicehistory/; www.rippo.com; http://pacificoceanpark.tripod.com/; www.wikipedia.com; Dogtown and Z-Boys, 2001.